Soma de Riemann

Soma de Riemann

Pergunta disparadora

Como podemos medir a área sob uma curva quando essa área não é formada por figuras geométricas simples, como retângulos, triângulos ou círculos?

Objetivos da aula

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

  • compreender a ideia de aproximação de áreas por retângulos;
  • construir somas de Riemann em intervalos particionados;
  • interpretar a integral definida como limite de somas de Riemann.

Desenvolvimento

Nas unidades anteriores, estudamos a derivada e a integral indefinida.

A derivada mede taxas instantâneas de variação.

A integral indefinida permite recuperar funções a partir de suas derivadas.

Agora vamos iniciar uma nova etapa: o estudo da integral definida.

A integral definida está ligada a uma ideia muito importante:

acumular pequenas contribuições ao longo de um intervalo.

Uma das interpretações mais clássicas da integral definida é a área sob o gráfico de uma função.

Por exemplo, se temos uma função positiva \(f(x)\) em um intervalo \([a,b]\), podemos perguntar:

qual é a área da região entre o gráfico de \(f\), o eixo \(x\) e as retas verticais \(x=a\) e \(x=b\)?

Quando o gráfico é uma reta ou uma figura simples, talvez possamos usar fórmulas geométricas conhecidas.

Mas, quando o gráfico é curvo, precisamos de uma ideia nova.

Essa ideia começa com as somas de Riemann.

O problema da área sob uma curva

Considere uma função contínua e positiva em um intervalo \([a,b]\).

Queremos estimar a área da região abaixo do gráfico:

\[ y=f(x) \]

e acima do eixo \(x\).

Se a função fosse constante, por exemplo:

\[ f(x)=3 \]

em \([0,5]\), a região seria um retângulo de base \(5\) e altura \(3\).

A área seria:

\[ A=5\cdot 3=15. \]

Mas se a função for, por exemplo:

\[ f(x)=x^2 \]

em \([0,2]\), a região não é um retângulo.

O gráfico é uma parábola.

Nesse caso, podemos aproximar a região usando vários retângulos estreitos.

Quanto mais retângulos usarmos, melhor será a aproximação.

Aproximando por retângulos

A ideia básica é dividir o intervalo \([a,b]\) em partes menores.

Por exemplo, se queremos estudar a área sob \(f(x)\) em \([a,b]\), podemos dividir esse intervalo em \(n\) subintervalos.

Cada subintervalo terá comprimento:

\[ \Delta x=\frac{b-a}{n}. \]

Esse comprimento é chamado de largura de cada retângulo.

Depois, em cada subintervalo, escolhemos um ponto.

A altura do retângulo será o valor da função nesse ponto.

Assim, cada retângulo terá área aproximada:

\[ f(x_i^*)\Delta x, \]

em que \(x_i^*\) é um ponto escolhido no \(i\)-ésimo subintervalo.

Somando as áreas de todos os retângulos, obtemos uma aproximação da área total.

Essa soma é uma soma de Riemann.

Partição de um intervalo

Uma partição do intervalo \([a,b]\) é uma divisão desse intervalo em subintervalos menores.

Se dividimos \([a,b]\) em \(n\) partes iguais, obtemos os pontos:

\[ x_0=a, \]

\[ x_1=a+\Delta x, \]

\[ x_2=a+2\Delta x, \]

e assim por diante, até:

\[ x_n=b. \]

De modo geral:

\[ x_i=a+i\Delta x, \]

para:

\[ i=0,1,2,\ldots,n. \]

A largura de cada subintervalo é:

\[ \Delta x=\frac{b-a}{n}. \]

Cada subintervalo é:

\[ [x_{i-1},x_i]. \]

Escolha dos pontos de amostragem

Em cada subintervalo \([x_{i-1},x_i]\), precisamos escolher um ponto para calcular a altura do retângulo.

Esse ponto é indicado por:

\[ x_i^*. \]

Ele pode ser:

  • a extremidade esquerda do subintervalo;
  • a extremidade direita do subintervalo;
  • o ponto médio do subintervalo;
  • qualquer outro ponto dentro do subintervalo.

Dependendo da escolha, obtemos diferentes somas de Riemann.

As três escolhas mais comuns são:

  1. soma à esquerda;
  2. soma à direita;
  3. soma pelo ponto médio.

Soma de Riemann geral

A soma de Riemann associada a uma função \(f\) no intervalo \([a,b]\) é:

\[ S_n=\sum_{i=1}^{n} f(x_i^*)\Delta x. \]

Nessa expressão:

  • \(n\) é o número de subintervalos;
  • \(\Delta x\) é a largura de cada subintervalo;
  • \(x_i^*\) é um ponto escolhido no \(i\)-ésimo subintervalo;
  • \(f(x_i^*)\) é a altura do retângulo;
  • \(f(x_i^*)\Delta x\) é a área do retângulo;
  • a soma representa a área aproximada total.

Essa expressão é o centro da aula.

Interpretação geométrica

Cada termo:

\[ f(x_i^*)\Delta x \]

representa a área de um retângulo.

A base do retângulo é:

\[ \Delta x. \]

A altura é:

\[ f(x_i^*). \]

Somando todos os termos, obtemos a área total aproximada:

\[ S_n=f(x_1^*)\Delta x+f(x_2^*)\Delta x+\cdots+f(x_n^*)\Delta x. \]

A notação de somatório escreve isso de forma compacta:

\[ S_n=\sum_{i=1}^{n} f(x_i^*)\Delta x. \]

Soma à esquerda

Na soma à esquerda, escolhemos como ponto de amostragem a extremidade esquerda de cada subintervalo.

Assim:

\[ x_i^*=x_{i-1}. \]

A soma à esquerda é:

\[ L_n=\sum_{i=1}^{n} f(x_{i-1})\Delta x. \]

Em termos dos pontos da partição:

\[ L_n=[f(x_0)+f(x_1)+\cdots+f(x_{n-1})]\Delta x. \]

Essa soma usa as alturas nos pontos:

\[ x_0,x_1,\ldots,x_{n-1}. \]

Soma à direita

Na soma à direita, escolhemos como ponto de amostragem a extremidade direita de cada subintervalo.

Assim:

\[ x_i^*=x_i. \]

A soma à direita é:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n} f(x_i)\Delta x. \]

Ou:

\[ R_n=[f(x_1)+f(x_2)+\cdots+f(x_n)]\Delta x. \]

Essa soma usa as alturas nos pontos:

\[ x_1,x_2,\ldots,x_n. \]

Soma pelo ponto médio

Na soma pelo ponto médio, escolhemos como ponto de amostragem o ponto médio de cada subintervalo.

O ponto médio do subintervalo \([x_{i-1},x_i]\) é:

\[ m_i=\frac{x_{i-1}+x_i}{2}. \]

A soma pelo ponto médio é:

\[ M_n=\sum_{i=1}^{n} f(m_i)\Delta x. \]

Em muitos casos, a soma pelo ponto médio fornece aproximações melhores que as somas à esquerda e à direita, especialmente quando o número de subintervalos ainda é pequeno.

Exemplo 1: função constante

Considere:

\[ f(x)=3 \]

em:

\[ [0,4]. \]

Vamos dividir o intervalo em:

\[ n=4 \]

partes iguais.

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{4-0}{4}=1. \]

Como a função é constante, qualquer escolha de ponto dá:

\[ f(x_i^*)=3. \]

Então:

\[ S_4=\sum_{i=1}^{4}3\cdot 1. \]

Logo:

\[ S_4=3+3+3+3=12. \]

A área exata é a área de um retângulo de base \(4\) e altura \(3\):

\[ A=4\cdot 3=12. \]

Nesse caso, a soma de Riemann já dá a área exata.

Exemplo 2: função linear com soma à direita

Considere:

\[ f(x)=x \]

no intervalo:

\[ [0,4]. \]

Vamos usar:

\[ n=4 \]

subintervalos e soma à direita.

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{4-0}{4}=1. \]

Os pontos da partição são:

\[ x_0=0,\quad x_1=1,\quad x_2=2,\quad x_3=3,\quad x_4=4. \]

Na soma à direita, usamos:

\[ x_1,x_2,x_3,x_4. \]

Logo:

\[ R_4=[f(1)+f(2)+f(3)+f(4)]\cdot 1. \]

Como \(f(x)=x\), temos:

\[ R_4=(1+2+3+4)\cdot 1. \]

Assim:

\[ R_4=10. \]

Essa é uma aproximação da área sob \(y=x\) em \([0,4]\).

Comparação com a área exata

A região sob \(y=x\) em \([0,4]\) é um triângulo.

A base é:

\[ 4. \]

A altura é:

\[ 4. \]

A área exata é:

\[ A=\frac{4\cdot 4}{2}=8. \]

A soma à direita deu:

\[ R_4=10. \]

Ela superestimou a área.

Isso acontece porque \(f(x)=x\) é crescente.

Quando usamos extremidades direitas em uma função crescente, os retângulos tendem a ficar acima do gráfico.

Exemplo 3: função linear com soma à esquerda

Agora use a soma à esquerda para:

\[ f(x)=x \]

em:

\[ [0,4] \]

com:

\[ n=4. \]

A largura continua sendo:

\[ \Delta x=1. \]

Na soma à esquerda, usamos:

\[ x_0,x_1,x_2,x_3. \]

Logo:

\[ L_4=[f(0)+f(1)+f(2)+f(3)]\cdot 1. \]

Como \(f(x)=x\):

\[ L_4=(0+1+2+3)\cdot 1. \]

Então:

\[ L_4=6. \]

A soma à esquerda subestimou a área exata, que era:

\[ 8. \]

Isso também acontece porque a função é crescente.

Exemplo 4: ponto médio

Agora use a soma pelo ponto médio para:

\[ f(x)=x \]

em:

\[ [0,4] \]

com:

\[ n=4. \]

Os subintervalos são:

\[ [0,1],\quad [1,2],\quad [2,3],\quad [3,4]. \]

Os pontos médios são:

\[ 0{,}5,\quad 1{,}5,\quad 2{,}5,\quad 3{,}5. \]

A largura é:

\[ \Delta x=1. \]

Então:

\[ M_4=[f(0{,}5)+f(1{,}5)+f(2{,}5)+f(3{,}5)]\cdot 1. \]

Como \(f(x)=x\):

\[ M_4=(0{,}5+1{,}5+2{,}5+3{,}5)\cdot 1. \]

Logo:

\[ M_4=8. \]

Nesse caso, a soma pelo ponto médio deu exatamente a área do triângulo.

Funções crescentes e decrescentes

Quando \(f\) é crescente em \([a,b]\):

  • a soma à esquerda tende a subestimar a área;
  • a soma à direita tende a superestimar a área.

Quando \(f\) é decrescente em \([a,b]\):

  • a soma à esquerda tende a superestimar a área;
  • a soma à direita tende a subestimar a área.

Isso ocorre porque a altura escolhida em cada retângulo fica abaixo ou acima dos valores da função no subintervalo.

Essa observação ajuda a interpretar se uma aproximação está acima ou abaixo da área real.

Exemplo 5: função quadrática

Considere:

\[ f(x)=x^2 \]

em:

\[ [0,2]. \]

Vamos usar:

\[ n=4 \]

subintervalos e soma à direita.

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{2-0}{4}=\frac{1}{2}. \]

Os pontos da partição são:

\[ x_0=0, \]

\[ x_1=\frac{1}{2}, \]

\[ x_2=1, \]

\[ x_3=\frac{3}{2}, \]

\[ x_4=2. \]

Na soma à direita, usamos:

\[ x_1,x_2,x_3,x_4. \]

Então:

\[ R_4= \left[ f\left(\frac{1}{2}\right) + f(1) + f\left(\frac{3}{2}\right) + f(2) \right]\Delta x. \]

Calculando os valores:

\[ f\left(\frac{1}{2}\right)=\frac{1}{4}, \]

\[ f(1)=1, \]

\[ f\left(\frac{3}{2}\right)=\frac{9}{4}, \]

e:

\[ f(2)=4. \]

Logo:

\[ R_4= \left( \frac{1}{4}+1+\frac{9}{4}+4 \right)\frac{1}{2}. \]

Somando dentro dos parênteses:

\[ \frac{1}{4}+1+\frac{9}{4}+4 = \frac{1}{4}+\frac{4}{4}+\frac{9}{4}+\frac{16}{4} = \frac{30}{4} = \frac{15}{2}. \]

Então:

\[ R_4=\frac{15}{2}\cdot\frac{1}{2}=\frac{15}{4}. \]

Assim:

\[ R_4=3{,}75. \]

Essa é uma aproximação da área sob \(y=x^2\) em \([0,2]\) usando quatro retângulos à direita.

Soma à esquerda para \(x^2\)

Agora calcule a soma à esquerda para:

\[ f(x)=x^2 \]

em:

\[ [0,2] \]

com:

\[ n=4. \]

Usamos os pontos:

\[ x_0=0,\quad x_1=\frac{1}{2},\quad x_2=1,\quad x_3=\frac{3}{2}. \]

Então:

\[ L_4= \left[ f(0) + f\left(\frac{1}{2}\right) + f(1) + f\left(\frac{3}{2}\right) \right]\frac{1}{2}. \]

Calculando:

\[ f(0)=0, \]

\[ f\left(\frac{1}{2}\right)=\frac{1}{4}, \]

\[ f(1)=1, \]

\[ f\left(\frac{3}{2}\right)=\frac{9}{4}. \]

Logo:

\[ L_4= \left( 0+\frac{1}{4}+1+\frac{9}{4} \right)\frac{1}{2}. \]

Somando:

\[ 0+\frac{1}{4}+1+\frac{9}{4} = \frac{1}{4}+\frac{4}{4}+\frac{9}{4} = \frac{14}{4} = \frac{7}{2}. \]

Então:

\[ L_4=\frac{7}{2}\cdot\frac{1}{2}=\frac{7}{4}. \]

Assim:

\[ L_4=1{,}75. \]

Como \(x^2\) é crescente em \([0,2]\), a soma à esquerda subestima a área, e a soma à direita superestima.

Melhorando a aproximação

No exemplo anterior, com apenas quatro retângulos, obtivemos:

\[ L_4=1{,}75 \]

e:

\[ R_4=3{,}75. \]

A área real está entre esses valores.

Se aumentarmos o número de retângulos, os retângulos ficam mais estreitos, e a aproximação melhora.

A ideia central da integral definida é tomar o limite quando:

\[ n\to\infty. \]

Isto é, usamos infinitos retângulos cada vez mais estreitos.

Nesse limite, a soma de Riemann se aproxima da área exata.

Soma de Riemann com \(n\) subintervalos

Para formalizar essa ideia, dividimos \([a,b]\) em \(n\) partes iguais.

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{b-a}{n}. \]

Na soma à direita, os pontos são:

\[ x_i=a+i\Delta x. \]

Então:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n} f(x_i)\Delta x. \]

Na soma à esquerda, usamos:

\[ x_{i-1}=a+(i-1)\Delta x. \]

Então:

\[ L_n=\sum_{i=1}^{n} f(x_{i-1})\Delta x. \]

No ponto médio:

\[ m_i=\frac{x_{i-1}+x_i}{2}. \]

Então:

\[ M_n=\sum_{i=1}^{n} f(m_i)\Delta x. \]

Exemplo 6: fórmula geral para \(f(x)=x\) em \([0,1]\)

Vamos calcular a soma à direita para:

\[ f(x)=x \]

em:

\[ [0,1]. \]

Dividimos em \(n\) subintervalos.

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{1-0}{n}=\frac{1}{n}. \]

Os pontos à direita são:

\[ x_i=0+i\Delta x=\frac{i}{n}. \]

A soma à direita é:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n} f\left(\frac{i}{n}\right)\Delta x. \]

Como \(f(x)=x\):

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n} \frac{i}{n}\cdot \frac{1}{n}. \]

Logo:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n} \frac{i}{n^2}. \]

Como \(\frac{1}{n^2}\) é constante em relação a \(i\):

\[ R_n=\frac{1}{n^2}\sum_{i=1}^{n} i. \]

Sabemos que:

\[ \sum_{i=1}^{n}i=\frac{n(n+1)}{2}. \]

Então:

\[ R_n=\frac{1}{n^2}\cdot \frac{n(n+1)}{2}. \]

Simplificando:

\[ R_n=\frac{n+1}{2n}. \]

Ou:

\[ R_n=\frac{1}{2}+\frac{1}{2n}. \]

Quando:

\[ n\to\infty, \]

temos:

\[ \frac{1}{2n}\to 0. \]

Logo:

\[ \lim_{n\to\infty}R_n=\frac{1}{2}. \]

Essa é a área sob \(y=x\) em \([0,1]\).

De fato, a região é um triângulo de base \(1\) e altura \(1\):

\[ A=\frac{1\cdot 1}{2}=\frac{1}{2}. \]

Exemplo 7: soma à esquerda para \(f(x)=x\) em \([0,1]\)

Agora calculemos a soma à esquerda.

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{1}{n}. \]

Os pontos à esquerda são:

\[ x_{i-1}=\frac{i-1}{n}. \]

Logo:

\[ L_n=\sum_{i=1}^{n} f\left(\frac{i-1}{n}\right)\frac{1}{n}. \]

Como \(f(x)=x\):

\[ L_n=\sum_{i=1}^{n} \frac{i-1}{n}\cdot\frac{1}{n}. \]

Então:

\[ L_n=\frac{1}{n^2}\sum_{i=1}^{n}(i-1). \]

A soma:

\[ \sum_{i=1}^{n}(i-1) \]

é:

\[ 0+1+2+\cdots+(n-1). \]

Logo:

\[ \sum_{i=1}^{n}(i-1)=\frac{n(n-1)}{2}. \]

Assim:

\[ L_n=\frac{1}{n^2}\cdot\frac{n(n-1)}{2}. \]

Portanto:

\[ L_n=\frac{n-1}{2n}. \]

Ou:

\[ L_n=\frac{1}{2}-\frac{1}{2n}. \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{n\to\infty}L_n=\frac{1}{2}. \]

A soma à esquerda e a soma à direita convergem para o mesmo valor.

Esse valor é a área exata.

A integral definida como limite

A integral definida de \(f\) em \([a,b]\) é definida como o limite das somas de Riemann quando o número de subintervalos cresce indefinidamente e a largura dos subintervalos tende a zero.

Escrevemos:

\[ \int_a^b f(x)\,dx = \lim_{n\to\infty}\sum_{i=1}^{n}f(x_i^*)\Delta x, \]

quando esse limite existe e independe da escolha dos pontos \(x_i^*\).

Essa é uma definição fundamental.

Ela conecta a área sob uma curva à ideia de limite.

Interpretação da integral definida

Na expressão:

\[ \int_a^b f(x)\,dx, \]

temos:

  • \(a\) como limite inferior de integração;
  • \(b\) como limite superior de integração;
  • \(f(x)\) como integrando;
  • \(dx\) indicando a variável de integração.

Quando \(f(x)\geq 0\) em \([a,b]\), a integral definida representa a área sob o gráfico de \(f\) entre \(a\) e \(b\).

Mais adiante, veremos que, se a função assume valores negativos, a integral representa área orientada.

Por enquanto, vamos pensar principalmente em funções positivas.

Relação entre soma e integral

A soma de Riemann:

\[ \sum_{i=1}^{n}f(x_i^*)\Delta x \]

é uma aproximação.

A integral definida:

\[ \int_a^b f(x)\,dx \]

é o limite dessas aproximações quando os retângulos ficam infinitamente estreitos.

Assim, podemos pensar:

\[ \text{integral definida}=\text{limite das somas de Riemann}. \]

Essa ideia é uma das bases do Cálculo Integral.

Exemplo 8: interpretando uma integral

Considere:

\[ \int_0^2 x^2\,dx. \]

Antes de calcular com técnicas futuras, podemos interpretar essa integral como:

a área sob o gráfico de \(y=x^2\) entre \(x=0\) e \(x=2\).

Essa área pode ser aproximada por somas de Riemann.

Por exemplo, com soma à direita e \(n=4\), já calculamos:

\[ R_4=3{,}75. \]

Com soma à esquerda e \(n=4\), calculamos:

\[ L_4=1{,}75. \]

Com mais retângulos, as aproximações melhoram.

No futuro, veremos que:

\[ \int_0^2 x^2\,dx=\frac{8}{3}. \]

Como:

\[ \frac{8}{3}\approx 2{,}6667, \]

esse valor realmente está entre:

\[ 1{,}75 \]

e:

\[ 3{,}75. \]

Soma de Riemann não é apenas área

Embora a interpretação geométrica seja muito importante, somas de Riemann também representam acumulações.

Por exemplo, se \(v(t)\) é a velocidade de um objeto, então:

\[ v(t)\Delta t \]

aproxima o deslocamento durante um pequeno intervalo de tempo.

Somando várias parcelas:

\[ \sum v(t_i^*)\Delta t, \]

obtemos uma aproximação do deslocamento total.

Quando fazemos o limite, obtemos:

\[ \int_a^b v(t)\,dt. \]

Assim, integrais acumulam pequenas contribuições.

Exemplo aplicado: velocidade

Suponha que um objeto tenha velocidade:

\[ v(t)=2t \]

em metros por segundo, no intervalo:

\[ 0\leq t\leq 3. \]

Queremos estimar o deslocamento.

Dividimos o intervalo \([0,3]\) em pequenos subintervalos de tempo.

Em cada subintervalo, aproximamos o deslocamento por:

\[ v(t_i^*)\Delta t. \]

Somando:

\[ \sum_{i=1}^{n}v(t_i^*)\Delta t. \]

No limite, o deslocamento total é:

\[ \int_0^3 2t\,dt. \]

Assim, a integral definida acumula deslocamentos pequenos.

Área orientada

Por enquanto, estamos focando em funções positivas.

Mas é importante antecipar uma ideia.

Se \(f(x)\) for negativa em parte do intervalo, os termos:

\[ f(x_i^*)\Delta x \]

também serão negativos.

Nesse caso, a integral definida soma áreas com sinal.

Áreas acima do eixo \(x\) contribuem positivamente.

Áreas abaixo do eixo \(x\) contribuem negativamente.

Por isso, a integral definida mede área orientada, não apenas área geométrica.

Esse ponto será retomado nas próximas aulas.

A notação \(\Delta x\)

O símbolo:

\[ \Delta x \]

representa a largura de cada subintervalo.

Quando usamos partição uniforme:

\[ \Delta x=\frac{b-a}{n}. \]

À medida que:

\[ n \]

aumenta, temos:

\[ \Delta x\to 0. \]

Ou seja, os retângulos ficam cada vez mais estreitos.

A área aproximada tende a uma área exata.

Essa passagem ao limite é o coração da definição de integral.

A notação \(dx\)

Na integral definida:

\[ \int_a^b f(x)\,dx, \]

o símbolo \(dx\) está relacionado ao limite de \(\Delta x\).

Informalmente, podemos pensar em \(dx\) como uma largura infinitesimal.

A expressão:

\[ f(x)\,dx \]

representa uma pequena contribuição de área ou acumulação.

A integral soma essas contribuições ao longo do intervalo.

Essa interpretação será muito útil em aplicações.

Exemplo 9: montando uma soma de Riemann

Monte a soma de Riemann à direita para:

\[ f(x)=x^2+1 \]

em:

\[ [0,3] \]

com:

\[ n=6. \]

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{3-0}{6}=\frac{1}{2}. \]

Os pontos à direita são:

\[ x_i=0+i\Delta x=\frac{i}{2}, \]

para:

\[ i=1,2,\ldots,6. \]

Então:

\[ R_6=\sum_{i=1}^{6} f\left(\frac{i}{2}\right)\frac{1}{2}. \]

Como:

\[ f(x)=x^2+1, \]

temos:

\[ R_6=\sum_{i=1}^{6}\left[\left(\frac{i}{2}\right)^2+1\right]\frac{1}{2}. \]

Essa é a soma de Riemann solicitada.

Se quisermos, podemos expandir:

\[ R_6= \frac{1}{2} \sum_{i=1}^{6} \left( \frac{i^2}{4}+1 \right). \]

Exemplo 10: calculando a soma

Vamos calcular o valor de:

\[ R_6= \frac{1}{2} \sum_{i=1}^{6} \left( \frac{i^2}{4}+1 \right). \]

Distribuímos:

\[ R_6= \frac{1}{2} \left[ \frac{1}{4}\sum_{i=1}^{6}i^2+\sum_{i=1}^{6}1 \right]. \]

Sabemos que:

\[ \sum_{i=1}^{6}1=6. \]

E:

\[ \sum_{i=1}^{6}i^2=1^2+2^2+3^2+4^2+5^2+6^2. \]

Calculando:

\[ 1+4+9+16+25+36=91. \]

Logo:

\[ R_6= \frac{1}{2} \left[ \frac{91}{4}+6 \right]. \]

Como:

\[ 6=\frac{24}{4}, \]

temos:

\[ R_6= \frac{1}{2} \cdot \frac{115}{4} = \frac{115}{8}. \]

Portanto:

\[ R_6=14{,}375. \]

Essa é uma aproximação da área sob:

\[ f(x)=x^2+1 \]

em:

\[ [0,3]. \]

Fórmulas de somatório úteis

Para calcular somas de Riemann, algumas fórmulas são úteis:

\[ \sum_{i=1}^{n}1=n. \]

\[ \sum_{i=1}^{n}i=\frac{n(n+1)}{2}. \]

\[ \sum_{i=1}^{n}i^2=\frac{n(n+1)(2n+1)}{6}. \]

\[ \sum_{i=1}^{n}i^3=\left[\frac{n(n+1)}{2}\right]^2. \]

Essas fórmulas permitem calcular limites de somas de Riemann para funções polinomiais simples.

Exemplo 11: limite de soma de Riemann para \(x^2\)

Vamos encontrar a área sob:

\[ f(x)=x^2 \]

em:

\[ [0,1] \]

usando soma à direita.

Temos:

\[ \Delta x=\frac{1}{n}. \]

Os pontos à direita são:

\[ x_i=\frac{i}{n}. \]

A soma é:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n}\left(\frac{i}{n}\right)^2\frac{1}{n}. \]

Então:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n}\frac{i^2}{n^2}\cdot\frac{1}{n}. \]

Logo:

\[ R_n=\frac{1}{n^3}\sum_{i=1}^{n}i^2. \]

Usando:

\[ \sum_{i=1}^{n}i^2=\frac{n(n+1)(2n+1)}{6}, \]

temos:

\[ R_n=\frac{1}{n^3}\cdot\frac{n(n+1)(2n+1)}{6}. \]

Simplificando:

\[ R_n=\frac{n(n+1)(2n+1)}{6n^3}. \]

Podemos escrever:

\[ R_n=\frac{(n+1)(2n+1)}{6n^2}. \]

Expandindo o numerador:

\[ (n+1)(2n+1)=2n^2+3n+1. \]

Então:

\[ R_n=\frac{2n^2+3n+1}{6n^2}. \]

Dividindo por \(n^2\):

\[ R_n=\frac{2+\frac{3}{n}+\frac{1}{n^2}}{6}. \]

Agora tomamos o limite:

\[ \lim_{n\to\infty}R_n = \frac{2+0+0}{6} = \frac{1}{3}. \]

Portanto:

\[ \int_0^1 x^2\,dx=\frac{1}{3}. \]

Esse resultado será confirmado futuramente pelo Teorema Fundamental do Cálculo.

O significado do limite

No exemplo anterior, cada \(R_n\) é uma aproximação da área.

Para \(n=10\), temos uma aproximação.

Para \(n=100\), temos uma aproximação melhor.

Para \(n=1000\), melhor ainda.

O limite quando:

\[ n\to\infty \]

fornece a área exata.

Assim, a integral definida é uma passagem do discreto para o contínuo.

Começamos com uma soma finita de retângulos.

Depois, tomamos um limite.

O resultado é uma medida exata de área ou acumulação.

Funções integráveis

Nem toda função é simples de integrar, mas muitas funções importantes são integráveis.

Em particular, toda função contínua em um intervalo fechado \([a,b]\) é integrável.

Isso significa que, se \(f\) é contínua em \([a,b]\), então o limite das somas de Riemann existe.

Assim, para funções contínuas, a integral definida está bem definida.

Neste curso, trabalharemos principalmente com funções contínuas ou com funções que têm poucos pontos problemáticos.

Soma de Riemann e unidade de medida

Se \(x\) tem uma unidade e \(f(x)\) tem outra, a integral combina essas unidades.

Por exemplo, se:

\[ v(t) \]

é velocidade em metros por segundo e:

\[ dt \]

é medido em segundos, então:

\[ v(t)\,dt \]

tem unidade:

\[ \frac{\text{m}}{\text{s}}\cdot \text{s}=\text{m}. \]

Portanto:

\[ \int_a^b v(t)\,dt \]

tem unidade de metros.

Isso corresponde a deslocamento.

De modo semelhante, se \(f(x)\) é altura em metros e \(dx\) é largura em metros, então:

\[ f(x)\,dx \]

tem unidade de área:

\[ \text{m}^2. \]

Exemplo aplicado com unidades

Suponha que uma torneira despeje água em um reservatório a uma taxa:

\[ r(t) \]

em litros por minuto.

Durante um pequeno intervalo de tempo:

\[ \Delta t, \]

a quantidade de água adicionada é aproximadamente:

\[ r(t_i^*)\Delta t. \]

Somando vários intervalos:

\[ \sum r(t_i^*)\Delta t. \]

No limite:

\[ \int_a^b r(t)\,dt. \]

A unidade será:

\[ \frac{\text{litros}}{\text{minuto}}\cdot \text{minuto}=\text{litros}. \]

Assim, a integral fornece o volume total de água acumulado.

Somas inferiores e superiores

Para funções positivas, podemos também pensar em retângulos que ficam abaixo ou acima do gráfico.

Se em cada subintervalo usamos o menor valor da função, obtemos uma soma inferior.

Se usamos o maior valor da função, obtemos uma soma superior.

Para funções crescentes:

  • a soma à esquerda é soma inferior;
  • a soma à direita é soma superior.

Para funções decrescentes:

  • a soma à esquerda é soma superior;
  • a soma à direita é soma inferior.

A área exata fica entre a soma inferior e a soma superior.

Quando refinamos a partição, essas somas se aproximam.

A ideia de refinamento

Refinar uma partição significa dividir o intervalo em pedaços menores.

Quanto menor for:

\[ \Delta x, \]

mais estreitos serão os retângulos.

Com retângulos mais estreitos, eles se ajustam melhor à curva.

No limite, quando:

\[ \Delta x\to 0, \]

a soma de Riemann tende à integral definida.

Essa ideia é uma das grandes conquistas do Cálculo: transformar problemas contínuos em limites de somas finitas.

Cuidado com a notação

Na soma:

\[ \sum_{i=1}^{n} f(x_i^*)\Delta x, \]

o índice \(i\) indica o subintervalo.

A expressão \(x_i^*\) não significa necessariamente \(x_i\).

Ela representa um ponto escolhido no subintervalo \([x_{i-1},x_i]\).

Se for soma à direita:

\[ x_i^*=x_i. \]

Se for soma à esquerda:

\[ x_i^*=x_{i-1}. \]

Se for ponto médio:

\[ x_i^*=m_i. \]

Essa distinção é importante.

Diferença entre \(\Delta x\) e \(dx\)

Em uma soma de Riemann, usamos:

\[ \Delta x. \]

Esse é um comprimento finito, a largura dos subintervalos.

Na integral definida, escrevemos:

\[ dx. \]

O símbolo \(dx\) representa a variável de integração e está relacionado ao limite de larguras cada vez menores.

Podemos pensar informalmente que:

\[ dx \]

é o análogo infinitesimal de:

\[ \Delta x. \]

Mas, formalmente, a integral definida é definida por um limite.

Exemplo final 1: soma à direita

Monte a soma à direita para:

\[ f(x)=x^2+2 \]

em:

\[ [1,3] \]

com:

\[ n=4. \]

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{3-1}{4}=\frac{1}{2}. \]

Os pontos da partição são:

\[ x_i=1+i\frac{1}{2}. \]

Para \(i=1,2,3,4\), temos:

\[ x_1=\frac{3}{2}, \]

\[ x_2=2, \]

\[ x_3=\frac{5}{2}, \]

\[ x_4=3. \]

A soma à direita é:

\[ R_4= \left[ f\left(\frac{3}{2}\right)+f(2)+f\left(\frac{5}{2}\right)+f(3) \right]\frac{1}{2}. \]

Como:

\[ f(x)=x^2+2, \]

temos:

\[ R_4= \left[ \left(\frac{3}{2}\right)^2+2 + 2^2+2 + \left(\frac{5}{2}\right)^2+2 + 3^2+2 \right]\frac{1}{2}. \]

Calculando:

\[ \left(\frac{3}{2}\right)^2+2=\frac{9}{4}+2=\frac{17}{4}, \]

\[ 2^2+2=6, \]

\[ \left(\frac{5}{2}\right)^2+2=\frac{25}{4}+2=\frac{33}{4}, \]

e:

\[ 3^2+2=11. \]

Logo:

\[ R_4= \left( \frac{17}{4}+6+\frac{33}{4}+11 \right)\frac{1}{2}. \]

Como:

\[ 6+11=17=\frac{68}{4}, \]

temos:

\[ \frac{17}{4}+\frac{33}{4}+\frac{68}{4} = \frac{118}{4} = \frac{59}{2}. \]

Então:

\[ R_4=\frac{59}{2}\cdot\frac{1}{2}=\frac{59}{4}. \]

Portanto:

\[ R_4=14{,}75. \]

Exemplo final 2: soma à esquerda

Monte a soma à esquerda para:

\[ f(x)=x^2+2 \]

em:

\[ [1,3] \]

com:

\[ n=4. \]

A largura é:

\[ \Delta x=\frac{1}{2}. \]

Os pontos à esquerda são:

\[ x_0=1, \]

\[ x_1=\frac{3}{2}, \]

\[ x_2=2, \]

\[ x_3=\frac{5}{2}. \]

Então:

\[ L_4= \left[ f(1)+f\left(\frac{3}{2}\right)+f(2)+f\left(\frac{5}{2}\right) \right]\frac{1}{2}. \]

Calculando:

\[ f(1)=1^2+2=3, \]

\[ f\left(\frac{3}{2}\right)=\frac{17}{4}, \]

\[ f(2)=6, \]

e:

\[ f\left(\frac{5}{2}\right)=\frac{33}{4}. \]

Logo:

\[ L_4= \left( 3+\frac{17}{4}+6+\frac{33}{4} \right)\frac{1}{2}. \]

Como:

\[ 3+6=9=\frac{36}{4}, \]

temos:

\[ \frac{36}{4}+\frac{17}{4}+\frac{33}{4} = \frac{86}{4} = \frac{43}{2}. \]

Então:

\[ L_4=\frac{43}{2}\cdot\frac{1}{2}=\frac{43}{4}. \]

Portanto:

\[ L_4=10{,}75. \]

Como \(f(x)=x^2+2\) é crescente em \([1,3]\), a soma à esquerda subestima e a soma à direita superestima.

Exemplo final 3: limite de soma

Calcule a área sob:

\[ f(x)=x \]

em:

\[ [0,2] \]

usando soma à direita.

Temos:

\[ \Delta x=\frac{2-0}{n}=\frac{2}{n}. \]

Os pontos à direita são:

\[ x_i=0+i\Delta x=\frac{2i}{n}. \]

A soma é:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n} f\left(\frac{2i}{n}\right)\frac{2}{n}. \]

Como \(f(x)=x\):

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n}\frac{2i}{n}\cdot\frac{2}{n}. \]

Logo:

\[ R_n=\sum_{i=1}^{n}\frac{4i}{n^2}. \]

Então:

\[ R_n=\frac{4}{n^2}\sum_{i=1}^{n}i. \]

Usando:

\[ \sum_{i=1}^{n}i=\frac{n(n+1)}{2}, \]

temos:

\[ R_n=\frac{4}{n^2}\cdot\frac{n(n+1)}{2}. \]

Simplificando:

\[ R_n=\frac{2n(n+1)}{n^2}. \]

Logo:

\[ R_n=2\cdot\frac{n+1}{n}. \]

Ou:

\[ R_n=2\left(1+\frac{1}{n}\right). \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{n\to\infty}R_n=2. \]

Portanto:

\[ \int_0^2 x\,dx=2. \]

Geometricamente, a região é um triângulo de base \(2\) e altura \(2\):

\[ A=\frac{2\cdot 2}{2}=2. \]

Síntese da aula

Nesta aula, iniciamos o estudo da integral definida por meio das somas de Riemann.

Vimos que a área sob uma curva pode ser aproximada por retângulos.

Para isso, dividimos o intervalo \([a,b]\) em \(n\) subintervalos de largura:

\[ \Delta x=\frac{b-a}{n}. \]

Em cada subintervalo, escolhemos um ponto \(x_i^*\) e formamos retângulos de área:

\[ f(x_i^*)\Delta x. \]

A soma:

\[ \sum_{i=1}^{n}f(x_i^*)\Delta x \]

é uma soma de Riemann.

Estudamos somas à esquerda, à direita e pelo ponto médio.

Também vimos que, quando o número de retângulos aumenta e \(\Delta x\to 0\), a soma de Riemann tende à integral definida:

\[ \int_a^b f(x)\,dx = \lim_{n\to\infty}\sum_{i=1}^{n}f(x_i^*)\Delta x. \]

Quando \(f(x)\geq 0\), essa integral representa a área sob o gráfico de \(f\) no intervalo \([a,b]\).

Por fim, interpretamos a integral também como acumulação, não apenas como área.

Próximo passo

Na próxima aula, estudaremos a integral definida com mais detalhes. Vamos formalizar sua notação, interpretar áreas orientadas e começar a explorar propriedades fundamentais da integral em intervalos.