Integrais impróprias em intervalos infinitos

Integrais impróprias em intervalos infinitos

Pergunta disparadora

Como podemos atribuir sentido a uma integral quando o intervalo de integração se estende até o infinito?

Objetivos da aula

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

  • compreender o conceito de integral imprópria em intervalos infinitos;
  • distinguir integrais impróprias convergentes e divergentes;
  • calcular integrais impróprias simples usando limites.

Desenvolvimento

Até agora, estudamos integrais definidas em intervalos fechados e limitados.

Por exemplo:

\[ \int_a^b f(x)\,dx \]

com \(a\) e \(b\) números reais.

Nesse caso, o intervalo de integração é:

\[ [a,b]. \]

Ele tem comprimento finito:

\[ b-a. \]

Além disso, trabalhamos principalmente com funções contínuas nesse intervalo.

Mas muitas situações matemáticas e aplicadas levam naturalmente a integrais em intervalos infinitos.

Por exemplo:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx, \]

ou:

\[ \int_0^\infty e^{-x}\,dx. \]

Essas expressões não são integrais definidas comuns, porque um dos limites de integração é infinito.

Elas são chamadas de integrais impróprias.

Nesta aula, estudaremos integrais impróprias em intervalos infinitos.

A ideia principal será transformar o infinito em um limite.


O que é uma integral imprópria?

Uma integral é chamada de imprópria quando ela não satisfaz as condições usuais de uma integral definida comum.

Nesta aula, o problema será o intervalo infinito.

Por exemplo:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx. \]

O símbolo \(\infty\) não é um número real.

Portanto, não podemos simplesmente aplicar o Teorema Fundamental do Cálculo substituindo \(x=\infty\) em uma antiderivada.

Em vez disso, interpretamos a integral como um limite:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_1^b \frac{1}{x^2}\,dx. \]

Agora, para cada \(b\) finito, a integral:

\[ \int_1^b \frac{1}{x^2}\,dx \]

é uma integral definida comum.

Depois estudamos o que acontece quando:

\[ b\to\infty. \]


Definição: intervalo infinito à direita

Se \(f\) é contínua em \([a,\infty)\), definimos:

\[ \int_a^\infty f(x)\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_a^b f(x)\,dx, \]

desde que esse limite exista como número real.

Se o limite existe e é finito, dizemos que a integral imprópria converge.

Se o limite não existe ou é infinito, dizemos que a integral imprópria diverge.

Assim:

  • convergir significa produzir um valor finito;
  • divergir significa não produzir um valor finito.

Exemplo 1: uma integral imprópria convergente

Calcule:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_1^b \frac{1}{x^2}\,dx. \]

Reescrevemos:

\[ \frac{1}{x^2}=x^{-2}. \]

Uma antiderivada é:

\[ \int x^{-2}\,dx=-x^{-1}=-\frac{1}{x}. \]

Então:

\[ \int_1^b \frac{1}{x^2}\,dx = \left[-\frac{1}{x}\right]_1^b. \]

Calculando:

\[ \left[-\frac{1}{x}\right]_1^b = -\frac{1}{b}-\left(-\frac{1}{1}\right). \]

Logo:

\[ \int_1^b \frac{1}{x^2}\,dx = -\frac{1}{b}+1. \]

Agora tomamos o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\left(1-\frac{1}{b}\right)=1. \]

Portanto:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx=1. \]

Essa integral imprópria converge.


Interpretação geométrica

A integral:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx \]

representa a área sob o gráfico de:

\[ f(x)=\frac{1}{x^2} \]

de \(x=1\) até o infinito.

O fato de essa integral valer \(1\) significa que a área total, mesmo estendendo-se indefinidamente para a direita, é finita.

Isso pode parecer surpreendente.

A região é infinita em extensão horizontal, mas a função decresce tão rapidamente que a área total permanece limitada.


Exemplo 2: uma integral imprópria divergente

Calcule:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_1^b \frac{1}{x}\,dx. \]

Uma antiderivada de \(\frac{1}{x}\) é:

\[ \ln x. \]

Como estamos em \(x>0\), não precisamos escrever \(\ln|x|\).

Então:

\[ \int_1^b \frac{1}{x}\,dx = [\ln x]_1^b. \]

Calculando:

\[ [\ln x]_1^b=\ln b-\ln 1. \]

Como:

\[ \ln 1=0, \]

temos:

\[ \int_1^b \frac{1}{x}\,dx=\ln b. \]

Agora tomamos o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\ln b=\infty. \]

Portanto:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x}\,dx \]

diverge.


Comparando os exemplos

Os exemplos anteriores são muito importantes.

Vimos que:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^2}\,dx \]

converge, mas:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x}\,dx \]

diverge.

As duas funções tendem a zero quando \(x\to\infty\).

De fato:

\[ \lim_{x\to\infty}\frac{1}{x}=0 \]

e:

\[ \lim_{x\to\infty}\frac{1}{x^2}=0. \]

Mas isso não é suficiente para garantir que a área total seja finita.

A função precisa tender a zero rápido o bastante.

A função \(\frac{1}{x^2}\) decresce mais rapidamente que \(\frac{1}{x}\).

Por isso, sua área total em \([1,\infty)\) é finita.


Cuidado importante

Se:

\[ \lim_{x\to\infty} f(x)\neq 0, \]

então a integral:

\[ \int_a^\infty f(x)\,dx \]

não pode convergir.

Mas se:

\[ \lim_{x\to\infty} f(x)=0, \]

isso não garante convergência.

Em outras palavras:

tender a zero é necessário, mas não é suficiente.

Por exemplo:

\[ \frac{1}{x}\to 0, \]

mas:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x}\,dx \]

diverge.


Integrais do tipo \(p\)

Um caso muito importante é a integral:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^p}\,dx. \]

Esse tipo de integral é chamado, muitas vezes, de integral p.

O comportamento depende do expoente \(p\).

Temos:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^p}\,dx \]

converge se:

\[ p>1, \]

e diverge se:

\[ p\leq 1. \]

Esse resultado é uma referência fundamental para comparar muitas integrais impróprias.


Demonstração para \(p\neq 1\)

Considere:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^p}\,dx = \int_1^\infty x^{-p}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_1^\infty x^{-p}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_1^b x^{-p}\,dx. \]

Se \(p\neq 1\), então:

\[ \int x^{-p}\,dx=\frac{x^{1-p}}{1-p}. \]

Logo:

\[ \int_1^b x^{-p}\,dx = \left[\frac{x^{1-p}}{1-p}\right]_1^b. \]

Assim:

\[ \int_1^b x^{-p}\,dx = \frac{b^{1-p}}{1-p}-\frac{1^{1-p}}{1-p}. \]

Como:

\[ 1^{1-p}=1, \]

temos:

\[ \int_1^b x^{-p}\,dx = \frac{b^{1-p}-1}{1-p}. \]

Agora analisamos o limite quando \(b\to\infty\).

Se \(p>1\), então:

\[ 1-p<0. \]

Nesse caso:

\[ b^{1-p}\to 0. \]

Logo, o limite é finito.

Se \(p<1\), então:

\[ 1-p>0. \]

Nesse caso:

\[ b^{1-p}\to\infty. \]

Logo, a integral diverge.

O caso \(p=1\) é separado e corresponde à integral:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x}\,dx, \]

que diverge.

Portanto:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^p}\,dx \]

converge se, e somente se:

\[ p>1. \]


Exemplo 3: integral p convergente

Determine se a integral converge e, se convergir, calcule:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^3}\,dx. \]

Aqui:

\[ p=3. \]

Como:

\[ 3>1, \]

a integral converge.

Vamos calcular.

Pela definição:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^3}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_1^b x^{-3}\,dx. \]

Uma antiderivada é:

\[ \int x^{-3}\,dx=\frac{x^{-2}}{-2}=-\frac{1}{2x^2}. \]

Então:

\[ \int_1^b x^{-3}\,dx = \left[-\frac{1}{2x^2}\right]_1^b. \]

Calculando:

\[ -\frac{1}{2b^2}-\left(-\frac{1}{2}\right) = \frac{1}{2}-\frac{1}{2b^2}. \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\left(\frac{1}{2}-\frac{1}{2b^2}\right)=\frac{1}{2}. \]

Portanto:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^3}\,dx=\frac{1}{2}. \]


Exemplo 4: integral p divergente

Determine se a integral converge:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{\sqrt{x}}\,dx. \]

Reescrevemos:

\[ \frac{1}{\sqrt{x}}=x^{-1/2}. \]

Isso corresponde a:

\[ \frac{1}{x^p} \]

com:

\[ p=\frac{1}{2}. \]

Como:

\[ \frac{1}{2}\leq 1, \]

a integral diverge.

Vamos confirmar por cálculo.

Pela definição:

\[ \int_1^\infty x^{-1/2}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_1^b x^{-1/2}\,dx. \]

Uma antiderivada é:

\[ 2\sqrt{x}. \]

Então:

\[ \int_1^b x^{-1/2}\,dx = [2\sqrt{x}]_1^b. \]

Calculando:

\[ 2\sqrt{b}-2. \]

Agora:

\[ \lim_{b\to\infty}(2\sqrt{b}-2)=\infty. \]

Logo:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{\sqrt{x}}\,dx \]

diverge.


Exemplo 5: integral exponencial

Calcule:

\[ \int_0^\infty e^{-x}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_0^\infty e^{-x}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_0^b e^{-x}\,dx. \]

Uma antiderivada de \(e^{-x}\) é:

\[ -e^{-x}. \]

Então:

\[ \int_0^b e^{-x}\,dx = [-e^{-x}]_0^b. \]

Calculando:

\[ -e^{-b}-(-e^0). \]

Como:

\[ e^0=1, \]

temos:

\[ -e^{-b}+1. \]

Ou:

\[ 1-e^{-b}. \]

Agora tomamos o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}(1-e^{-b}). \]

Como:

\[ e^{-b}\to 0, \]

obtemos:

\[ 1. \]

Portanto:

\[ \int_0^\infty e^{-x}\,dx=1. \]

Essa integral converge.


Interpretação da exponencial

A função:

\[ e^{-x} \]

decresce rapidamente para zero.

Por isso, a área total sob seu gráfico em \([0,\infty)\) é finita.

Essa integral aparece em probabilidade, estatística, física, engenharia e modelos de decaimento.

Ela é um exemplo clássico de como uma função definida em um intervalo infinito pode ter acumulação total finita.


Exemplo 6: exponencial com constante

Calcule:

\[ \int_0^\infty 3e^{-2x}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_0^\infty 3e^{-2x}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_0^b 3e^{-2x}\,dx. \]

Uma antiderivada é:

\[ -\frac{3}{2}e^{-2x}. \]

Então:

\[ \int_0^b 3e^{-2x}\,dx = \left[-\frac{3}{2}e^{-2x}\right]_0^b. \]

Calculando:

\[ -\frac{3}{2}e^{-2b} - \left(-\frac{3}{2}e^0\right). \]

Como:

\[ e^0=1, \]

temos:

\[ -\frac{3}{2}e^{-2b}+\frac{3}{2}. \]

Ou:

\[ \frac{3}{2}\left(1-e^{-2b}\right). \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\frac{3}{2}\left(1-e^{-2b}\right)=\frac{3}{2}. \]

Portanto:

\[ \int_0^\infty 3e^{-2x}\,dx=\frac{3}{2}. \]


Intervalo infinito à esquerda

Também podemos ter integrais impróprias do tipo:

\[ \int_{-\infty}^b f(x)\,dx. \]

Nesse caso, definimos:

\[ \int_{-\infty}^b f(x)\,dx = \lim_{a\to-\infty}\int_a^b f(x)\,dx, \]

desde que esse limite exista e seja finito.

Se o limite existir e for finito, a integral converge.

Caso contrário, diverge.


Exemplo 7: intervalo infinito à esquerda

Calcule:

\[ \int_{-\infty}^0 e^x\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_{-\infty}^0 e^x\,dx = \lim_{a\to-\infty}\int_a^0 e^x\,dx. \]

Uma antiderivada de \(e^x\) é:

\[ e^x. \]

Então:

\[ \int_a^0 e^x\,dx=[e^x]_a^0. \]

Calculando:

\[ e^0-e^a=1-e^a. \]

Agora tomamos o limite:

\[ \lim_{a\to-\infty}(1-e^a). \]

Como:

\[ e^a\to 0 \]

quando:

\[ a\to-\infty, \]

temos:

\[ 1. \]

Portanto:

\[ \int_{-\infty}^0 e^x\,dx=1. \]


Intervalo infinito nos dois sentidos

Também podemos ter integrais em todo o eixo real:

\[ \int_{-\infty}^{\infty} f(x)\,dx. \]

Nesse caso, precisamos dividir a integral em duas partes.

Escolhemos um ponto qualquer \(c\) e definimos:

\[ \int_{-\infty}^{\infty} f(x)\,dx = \int_{-\infty}^{c} f(x)\,dx + \int_c^{\infty} f(x)\,dx. \]

A integral converge somente se as duas integrais do lado direito convergirem.

Se uma delas divergir, a integral total diverge.

Normalmente escolhemos:

\[ c=0. \]

Assim:

\[ \int_{-\infty}^{\infty} f(x)\,dx = \int_{-\infty}^{0} f(x)\,dx + \int_0^{\infty} f(x)\,dx. \]


Exemplo 8: integral em toda a reta

Calcule:

\[ \int_{-\infty}^{\infty} e^{-|x|}\,dx. \]

A função é par, pois:

\[ e^{-|-x|}=e^{-|x|}. \]

Então podemos usar simetria:

\[ \int_{-\infty}^{\infty} e^{-|x|}\,dx = 2\int_0^\infty e^{-x}\,dx. \]

Já vimos que:

\[ \int_0^\infty e^{-x}\,dx=1. \]

Logo:

\[ \int_{-\infty}^{\infty} e^{-|x|}\,dx=2. \]

Portanto, a integral converge e vale:

\[ 2. \]


Cuidado com cancelamentos em intervalos infinitos

Em integrais impróprias de \(-\infty\) a \(\infty\), não podemos simplesmente contar com cancelamentos simétricos sem verificar convergência das duas partes.

Por exemplo, a função:

\[ f(x)=x \]

é ímpar.

Alguém poderia pensar que:

\[ \int_{-\infty}^{\infty}x\,dx=0 \]

por simetria.

Mas isso não é correto como integral imprópria usual.

Devemos dividir:

\[ \int_{-\infty}^{0}x\,dx \]

e:

\[ \int_0^\infty x\,dx. \]

A primeira diverge para:

\[ -\infty, \]

e a segunda diverge para:

\[ +\infty. \]

Como as duas partes não convergem como números reais, a integral imprópria diverge.

Portanto, cuidado:

simetria não substitui a definição de integral imprópria.


Exemplo 9: divergência apesar da simetria

Analise:

\[ \int_{-\infty}^{\infty}x\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_{-\infty}^{\infty}x\,dx = \int_{-\infty}^{0}x\,dx+ \int_0^\infty x\,dx. \]

Vamos olhar a segunda parte:

\[ \int_0^\infty x\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_0^b x\,dx. \]

Calculando:

\[ \int_0^b x\,dx=\left[\frac{x^2}{2}\right]_0^b=\frac{b^2}{2}. \]

Como:

\[ \lim_{b\to\infty}\frac{b^2}{2}=\infty, \]

a integral diverge.

Logo:

\[ \int_{-\infty}^{\infty}x\,dx \]

diverge.


Integral imprópria e valor principal

Existe um conceito chamado valor principal de Cauchy, em que certos cancelamentos simétricos são permitidos.

Por exemplo:

\[ \lim_{b\to\infty}\int_{-b}^{b}x\,dx=0. \]

Mas esse valor principal não é a mesma coisa que a integral imprópria usual.

Nesta aula, trabalhamos com a definição usual de integral imprópria.

Por essa definição, é necessário que as partes separadas convirjam.


Exemplo 10: função racional convergente

Calcule:

\[ \int_0^\infty \frac{1}{(x+1)^2}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_0^\infty \frac{1}{(x+1)^2}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_0^b \frac{1}{(x+1)^2}\,dx. \]

Fazemos a antiderivada.

Como:

\[ \frac{1}{(x+1)^2}=(x+1)^{-2}, \]

uma antiderivada é:

\[ -\frac{1}{x+1}. \]

Então:

\[ \int_0^b \frac{1}{(x+1)^2}\,dx = \left[-\frac{1}{x+1}\right]_0^b. \]

Calculando:

\[ -\frac{1}{b+1}-\left(-\frac{1}{1}\right). \]

Logo:

\[ 1-\frac{1}{b+1}. \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\left(1-\frac{1}{b+1}\right)=1. \]

Portanto:

\[ \int_0^\infty \frac{1}{(x+1)^2}\,dx=1. \]


Exemplo 11: função racional divergente

Analise:

\[ \int_0^\infty \frac{1}{x+1}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_0^\infty \frac{1}{x+1}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_0^b \frac{1}{x+1}\,dx. \]

Uma antiderivada é:

\[ \ln(x+1). \]

Então:

\[ \int_0^b \frac{1}{x+1}\,dx = [\ln(x+1)]_0^b. \]

Calculando:

\[ \ln(b+1)-\ln(1). \]

Como:

\[ \ln(1)=0, \]

temos:

\[ \ln(b+1). \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\ln(b+1)=\infty. \]

Logo:

\[ \int_0^\infty \frac{1}{x+1}\,dx \]

diverge.


Exemplo 12: integral com substituição simples

Calcule:

\[ \int_0^\infty xe^{-x^2}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_0^\infty xe^{-x^2}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_0^b xe^{-x^2}\,dx. \]

Para calcular a integral definida, usamos substituição.

Faça:

\[ u=-x^2. \]

Então:

\[ du=-2x\,dx. \]

Logo:

\[ x\,dx=-\frac{1}{2}du. \]

Uma antiderivada de \(xe^{-x^2}\) é:

\[ -\frac{1}{2}e^{-x^2}. \]

Portanto:

\[ \int_0^b xe^{-x^2}\,dx = \left[-\frac{1}{2}e^{-x^2}\right]_0^b. \]

Calculando:

\[ -\frac{1}{2}e^{-b^2} - \left(-\frac{1}{2}e^0\right). \]

Como:

\[ e^0=1, \]

temos:

\[ -\frac{1}{2}e^{-b^2}+\frac{1}{2}. \]

Ou:

\[ \frac{1}{2}\left(1-e^{-b^2}\right). \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\frac{1}{2}\left(1-e^{-b^2}\right)=\frac{1}{2}. \]

Portanto:

\[ \int_0^\infty xe^{-x^2}\,dx=\frac{1}{2}. \]


Como decidir se uma integral converge?

Nesta primeira aula, estamos calculando integrais diretamente pela definição.

O roteiro básico é:

  1. substituir o limite infinito por uma variável finita;
  2. calcular a integral definida comum;
  3. tomar o limite;
  4. verificar se o resultado é finito.

Por exemplo:

\[ \int_a^\infty f(x)\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_a^b f(x)\,dx. \]

Se esse limite é um número real, a integral converge.

Se o limite é infinito, menos infinito ou não existe, a integral diverge.

Em aulas posteriores, estudaremos critérios de comparação para decidir convergência sem sempre calcular a integral exatamente.


Aplicações de integrais impróprias

Integrais impróprias aparecem em muitos contextos.

Na probabilidade, distribuições contínuas em intervalos infinitos precisam ter área total igual a \(1\).

Por exemplo, a densidade exponencial envolve integrais do tipo:

\[ \int_0^\infty \lambda e^{-\lambda x}\,dx. \]

Em Física, integrais impróprias aparecem em problemas envolvendo campos, energia, distribuições contínuas e fenômenos em domínios infinitos.

Em engenharia, aparecem em sinais, sistemas e transformadas.

Em matemática, são fundamentais para séries, análise, equações diferenciais e teoria da medida.

Nesta unidade, o foco será desenvolver a base conceitual e computacional necessária para lidar com essas integrais.


Erros comuns

Um erro comum é tentar substituir diretamente:

\[ x=\infty \]

em uma antiderivada.

Isso não é correto.

O infinito não é um número.

Devemos sempre usar limite.

Por exemplo, não escrevemos simplesmente:

\[ \left[-\frac{1}{x}\right]_1^\infty. \]

O correto é:

\[ \lim_{b\to\infty}\left[-\frac{1}{x}\right]_1^b. \]

Depois, podemos calcular o limite.

Outro erro comum é pensar que, se:

\[ f(x)\to 0, \]

então a integral converge.

Isso é falso.

A integral:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x}\,dx \]

diverge, embora:

\[ \frac{1}{x}\to 0. \]

Também é comum usar simetria em integrais de \(-\infty\) a \(\infty\) sem verificar a convergência das duas partes.

Na definição usual, ambas as partes precisam convergir separadamente.


Roteiro para calcular integrais impróprias em intervalos infinitos

Para calcular:

\[ \int_a^\infty f(x)\,dx, \]

faça:

\[ \int_a^\infty f(x)\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_a^b f(x)\,dx. \]

Depois:

  1. calcule a integral definida de \(a\) até \(b\);
  2. simplifique a expressão obtida;
  3. tome o limite quando \(b\to\infty\);
  4. se o limite for finito, a integral converge;
  5. se o limite não for finito, a integral diverge.

Para:

\[ \int_{-\infty}^b f(x)\,dx, \]

faça:

\[ \int_{-\infty}^b f(x)\,dx = \lim_{a\to-\infty}\int_a^b f(x)\,dx. \]

Para:

\[ \int_{-\infty}^{\infty}f(x)\,dx, \]

divida:

\[ \int_{-\infty}^{\infty}f(x)\,dx = \int_{-\infty}^{c}f(x)\,dx+ \int_c^{\infty}f(x)\,dx. \]

As duas partes precisam convergir.


Exemplo final 1

Calcule:

\[ \int_2^\infty \frac{1}{x^2}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_2^\infty \frac{1}{x^2}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_2^b x^{-2}\,dx. \]

Uma antiderivada é:

\[ -\frac{1}{x}. \]

Então:

\[ \int_2^b x^{-2}\,dx = \left[-\frac{1}{x}\right]_2^b. \]

Calculando:

\[ -\frac{1}{b}-\left(-\frac{1}{2}\right) = \frac{1}{2}-\frac{1}{b}. \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\left(\frac{1}{2}-\frac{1}{b}\right)=\frac{1}{2}. \]

Portanto:

\[ \int_2^\infty \frac{1}{x^2}\,dx=\frac{1}{2}. \]


Exemplo final 2

Determine se a integral converge:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^{3/2}}\,dx. \]

Aqui:

\[ p=\frac{3}{2}. \]

Como:

\[ \frac{3}{2}>1, \]

a integral converge.

Vamos calcular.

Pela definição:

\[ \int_1^\infty x^{-3/2}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_1^b x^{-3/2}\,dx. \]

Uma antiderivada é:

\[ \frac{x^{-1/2}}{-1/2}=-2x^{-1/2}. \]

Ou:

\[ -\frac{2}{\sqrt{x}}. \]

Então:

\[ \int_1^b x^{-3/2}\,dx = \left[-\frac{2}{\sqrt{x}}\right]_1^b. \]

Calculando:

\[ -\frac{2}{\sqrt{b}}-\left(-2\right) = 2-\frac{2}{\sqrt{b}}. \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}\left(2-\frac{2}{\sqrt{b}}\right)=2. \]

Portanto:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^{3/2}}\,dx=2. \]


Exemplo final 3

Determine se a integral converge:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{\sqrt{x}}\,dx. \]

Aqui:

\[ \frac{1}{\sqrt{x}}=\frac{1}{x^{1/2}}. \]

Então:

\[ p=\frac{1}{2}. \]

Como:

\[ \frac{1}{2}\leq 1, \]

a integral diverge.

Pelo cálculo direto:

\[ \int_1^b x^{-1/2}\,dx=[2\sqrt{x}]_1^b. \]

Logo:

\[ \int_1^b x^{-1/2}\,dx=2\sqrt{b}-2. \]

Como:

\[ \lim_{b\to\infty}(2\sqrt{b}-2)=\infty, \]

a integral diverge.


Exemplo final 4

Calcule:

\[ \int_0^\infty 5e^{-x}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_0^\infty 5e^{-x}\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_0^b 5e^{-x}\,dx. \]

Uma antiderivada é:

\[ -5e^{-x}. \]

Então:

\[ \int_0^b 5e^{-x}\,dx = [-5e^{-x}]_0^b. \]

Calculando:

\[ -5e^{-b}-(-5e^0). \]

Como:

\[ e^0=1, \]

temos:

\[ -5e^{-b}+5. \]

Tomando o limite:

\[ \lim_{b\to\infty}(5-5e^{-b})=5. \]

Portanto:

\[ \int_0^\infty 5e^{-x}\,dx=5. \]


Exemplo final 5

Calcule:

\[ \int_{-\infty}^0 2e^{2x}\,dx. \]

Pela definição:

\[ \int_{-\infty}^0 2e^{2x}\,dx = \lim_{a\to-\infty}\int_a^0 2e^{2x}\,dx. \]

Uma antiderivada de \(2e^{2x}\) é:

\[ e^{2x}. \]

Então:

\[ \int_a^0 2e^{2x}\,dx = [e^{2x}]_a^0. \]

Calculando:

\[ e^0-e^{2a}=1-e^{2a}. \]

Agora tomamos o limite:

\[ \lim_{a\to-\infty}(1-e^{2a}). \]

Como:

\[ e^{2a}\to 0 \]

quando:

\[ a\to-\infty, \]

temos:

\[ 1. \]

Portanto:

\[ \int_{-\infty}^0 2e^{2x}\,dx=1. \]


Síntese da aula

Nesta aula, introduzimos as integrais impróprias em intervalos infinitos.

Vimos que uma integral como:

\[ \int_a^\infty f(x)\,dx \]

não é uma integral definida comum, pois \(\infty\) não é um número real.

Por isso, definimos:

\[ \int_a^\infty f(x)\,dx = \lim_{b\to\infty}\int_a^b f(x)\,dx. \]

Se esse limite existe e é finito, a integral converge.

Se o limite não existe ou é infinito, a integral diverge.

Também estudamos integrais do tipo:

\[ \int_{-\infty}^b f(x)\,dx, \]

definidas por:

\[ \int_{-\infty}^b f(x)\,dx = \lim_{a\to-\infty}\int_a^b f(x)\,dx. \]

Para integrais em todo o eixo real, devemos dividir:

\[ \int_{-\infty}^{\infty} f(x)\,dx = \int_{-\infty}^{c} f(x)\,dx+ \int_c^{\infty} f(x)\,dx. \]

As duas partes precisam convergir.

Vimos ainda o caso fundamental das integrais p:

\[ \int_1^\infty \frac{1}{x^p}\,dx. \]

Essa integral converge se \(p>1\) e diverge se \(p\leq 1\).

Por fim, destacamos um cuidado essencial: uma função tender a zero no infinito é condição necessária para a convergência, mas não é suficiente.

Próximo passo

Na próxima aula, estudaremos integrais impróprias com descontinuidades infinitas. Veremos como lidar com integrais em que o problema não está no intervalo infinito, mas no comportamento da função perto de um ponto onde ela não é limitada.